ESTOICISMO | A Arte de Viver em Paz Sob Qualquer Circunstância











O estoicismo foi utilizado por homens e mulheres há séculos para poder triunfar nas suas empreitadas e solucionar os seus problemas. Como disse Sêneca, um dos estóicos mais proeminentes, "filosofia nos ensina a agir, não a falar".

Origens na Grécia, popularização em Roma

Estoicismo é um filosofia helenística com origem em Atenas, criado por Zenão de Cítio, mas foi em Roma que o estoicismo floresceu através de praticantes como Epictetus, Sêneca, Cato e Marco Aurélio.
O estoicismo afirma que as virtudes devem ser baseadas nos comportamentos ao invés das palavras, ou seja, aja de acordo com o que você acredita e mostre que você é uma pessoa de virtudes; e que nós não controlamos e não podemos depender dos eventos externos, devemos depender apenas de nós e das nossas escolhas.
A prática do estoicismo reside em alguns ensinamentos centrais cujo objetivo é nos lembrar que o mundo é imprevisível — tudo está OK hoje, mas amanhã as coisas podem mudar. O estoicismo também nos lembra de quão breve o nosso tempo é e, portanto, devemos vivê-lo da melhor forma possível; devemos ser firmes, fortes e estarmos no controle de nós mesmos; devemos controlar nossos impulsos e confiar na lógica e na nossa capacidade de raciocinar.

O estoicismo não é cheio de teorias complexas sobre o mundo que eu levaria três dias para explicar, ele é composto de ensinamentos simples para nos ajudar a superar as emoções destrutivas e agir naquilo que podemos agir.
Estoicismo é ação.
E por ser uma filosofia aplicável, ele foi praticado ao longo de centenas de anos pelas mais variadas personagens. Reis, senadores, imperadores, escravos, mercadores, pessoas comuns, escravos de empresas internacionais, políticos, seu vizinho — não existe uma linha que pode separar quem pode ou não se beneficiar das práticas estóicas.

Começando a praticar

Os estóicos sempre vão valorizar a ação em detrimento das palavras. Como você age mostra quem você realmente é. Portanto, não é de se espantar que o estoicismo tenha exercícios práticos para alcançar a eustatheia(tranquilidade) e euthymia (crença em si).
Para começar a jornada de entendimento da filosofia estóica, três exercícios que você pode fazer agora.

1) Reflexão matinal

Uma das práticas mais difundidas pelos estóicos é a reflexão matinal. Um dos melhores exemplos desse exercício é Meditações, por Marco Aurélio, o livro tinha como público apenas uma única pessoa: ele mesmo. Marco Aurélio, como bom estóico, escrevia diariamente para encontrar clareza e viver em paz (só não sabemos se ele escrevia pela manhã mesmo).
Ao acordar, agradeça por que você acordou e tem um novo dia com oportunidades pela frente. Muitas pessoas não têm esse luxo.
Depois, sente-se com seu journal e pense sobre o dia. Neste momento, não se trata de planejar o que fazer, se trata de pensar sobre como você irá viver o dia.
Como você lidará com seus vícios e virtudes? Que conceito filosófico você irá aplicar e/ou que habilidade você irá praticar? Pense em como incorporá-los ao seu dia.
Reflita sobre os possíveis problemas que você pode encontrar pela frente e como irá reagir a eles. Por exemplo, é muito provável que você fique preso(a) em um engarrafamento, você vai se irritar e xingar ou você vai aceitar que aconteceu, manter a sua cabeça no lugar e ouvir um podcast ou audiobook?
Por fim, lembre-se que você controla apenas a sua mente (seus pensamentos e suas escolhas), todo o resto é incontrolável. A única coisa que você pode fazer é decidir como vai perceber os eventos que acontecem. Não é melhor percebê-los mantendo a calma e a tranquilidade do que gritando e arrancando os cabelos?

2) Olhando de cima

Os estóicos lembram constantemente que a vida é efêmera e que tudo tem um fim. Nós somos pequenos, nossos problemas são apenas relativamente importantes mesmo que os encaremos como sendo a coisa mais importante.
Isso pode parecer um pensamento muito pessimista — quem gostaria de pensar que não tem tanta importância? — , mas o objetivo é simples: nos lembrar que a única coisa que importa é o agora. Como fazer a melhor escolha agora para viver uma vida serena, para sermos a melhor pessoa que pudermos ser agora, para fazermos a coisa certa agora.
Marco Aurélio disse que só precisamos de três coisas: 1. certeza de julgamento no momento presente, 2. ação para o bem comum no momento presente e 3. uma atitude de gratidão no momento presente em relação a tudo que aparecer no nosso caminho.
O que importa é apenas o que você pode fazer agora.
Esse exercício é muito pessoal, mas algumas diretrizes: imagine-se acima das nuvens ou no meio do espaço e progressivamente vá se aproximando da terra, de onde você se encontra agora. Compare seu tamanho a todo o resto que existe — nós somos pequenos, nossos problemas são pequenos.
Você também pode se imaginar em épocas passadas, no meio de guerras, na Europa da Peste Negra, ou imaginar o tempo congelado enquanto você anda pelas ruas. Não existe limites para como esse exercício pode ser feito.

3) Visualização negativa

Ok, este exercício também pode parecer pessimista. A ideia por trás dele não é fazer você se deprimir, mas fazer você perceber o quanto você possui e como sua vida é repleta de coisas que você não valoriza porque as têm como garantidas — isso se chama adaptação hedônica.
A premissa do exercício é simples: imagine que apenas coisas ruins aconteceram. Qual o nível de catástrofe que pode imaginar? Vai depender da sua imaginação.
Você pode imaginar que perdeu tudo, que seu carro quebrou no meio de uma viagem interestadual, que o seu país entrou em guerra, que algum familiar seu faleceu, que você perdeu todo o seu dinheiro, que o mundo entrou em colapso e agora você vive em um território que lembra Mad Max.
Você também pode imaginar uma situação futura que pode dar completamente errado (uma reunião com um cliente, uma palestra, uma viagem) e as possíveis consequências.
Agora lembre que isso não aconteceu. Sua vida não chegou a esse ponto e você possui muitas coisas que outros não têm. Reconheça quanta sorte você tem e comece a valorizar novamente.

Objetivos da filosofia estoica

Veja abaixo alguns dos principais objetivos da filosofia estoica:

Ataraxia

O cerne da filosofia estoica era a conquista da felicidade por meio da ataraxia, que é um ideal de tranquilidade no qual é possível viver de forma serena e com paz de espírito.
Para os estoicos, o homem apenas poderia conseguir essa felicidade através de suas próprias virtudes, ou seja, de seus conhecimentos.

Autossuficiência

A autossuficiência é um dos principais objetivos dos estoicos.
O estoicismo prega que cada ser deve viver de acordo com a sua natureza, ou seja, deve agir como um ser autárquico; como senhor de si mesmo.
Assim sendo, como ser racional que é, o homem deve se valer das suas próprias virtudes em prol da conquista do seu maior propósito: a felicidade.

Negação de sentimentos externos

Os estoicistas consideravam que os sentimentos externos (paixão, luxúria, etc.) eram nocivos ao homem, pois faziam com que ele deixasse de ser imparcial e passasse a ser irracional.
Todos esses sentimentos eram tidos como vícios e como causadores de males absolutos que comprometiam as tomadas de decisões e a organização dos pensamentos de forma lógica e inteligente.

Indiferença aos problemas

Na busca pela vida tranquila e feliz, a filosofia estoica defendia que todos os fatores externos que comprometessem a perfeição moral e intelectual deveriam ser ignorados, ou seja, tratados com apatia.
Essa linha de pensamento defendia que, mesmo na adversidade, em situações problemáticas ou difíceis, o homem deve optar por reagir sempre com calma e tranquilidade e com a cabeça no lugar, sem deixar que os fatores externos comprometam sua capacidade de julgamento e ação.
Saiba mais sobre apatia.

Características do estoicismo

  • Virtude é o único bem e caminho para a felicidade;
  • Indivíduo deve negar os sentimentos externos e priorizar o conhecimento;
  • O prazer é um inimigo do homem sábio;
  • Universo governado por uma razão universal natural;
  • Valorização da apatia (indiferença);
  • As atitudes tinham mais valor que as palavras, ou seja, o que era feito tinha mais importância do que o que era dito;
  • As emoções eram consideradas como vícios da alma;
  • Considerava-se que os sentimentos externos tornavam o homem irracional;
  • Acreditava-se que a alma deveria ser cultivada.
Ver também o significado de Sofismo.

Como o estoico concebe a realidade

A concepção da realidade por parte dos estoicos considera que existe um destino e que ele não é controlável pelo homem.
No entanto, a filosofia estoica defende que o homem deve se posicionar perante esse destino sempre de forma positiva, sempre praticando o bem, mesmo diante de situações problemáticas ou desagradáveis.
Para os estoicos, não se deve perder a cabeça com nada que seja externo (como sentimentos, etc.), visto não serem questões que o homem possa controlar.
O objetivo é agir sempre com bondade e sabedoria, pois para os estoicos um ser sábio é um ser feliz.

Estoicismo e epicurismo

O estoicismo é uma corrente filosófica oposta ao epicurismo.
O epicurismo prega que os indivíduos devem procurar prazeres moderados para alcançar um estado de tranquilidade e de libertação dos medos.
No entanto, os prazeres não podem ser exagerados, pois possam apresentar perturbações que dificultam o encontro da serenidade, felicidade e saúde corporal.
Alguns estudiosos consideram o epicurismo semelhante ao hedonismo.
Saiba mais sobre o significado de epicurismo e hedonismo.

Principais nomes do estoicismo

Confira abaixo quem são os principais filósofos estoicistas.

Zenão de Cítio

Zenão foi o filósofo fundador do estoicismo. Nascido na ilha de Chipre, foi também responsável pela formulação de diversos paradoxos no âmbito da filosofia.

Cleantes de Assos

Cleantes foi um filósofo natural de Assos, atualmente Turquia, que teve grande influência na introdução do conceito de materialismo.
Saiba mais sobre o materialismo.

Crísipo de Solis

Crísipo foi um filósofo grego de grande influência na sistematização dos conceitos estoicos.

Panécio de Rodes

Panécio foi um filósofo grego de extrema importância para a difusão do estoicismo em Roma.

Posidônio

Natural da Síria, Posidônio foi um filósofo que ocupou o cargo de embaixador de Roma. Seus pensamentos tinham como base o racionalismo e o empirismo.

Diógenes da Babilônia

Diógenes foi o principal líder da escola estoica de Atenas e um dos três filósofos enviados a Roma.

Marco Aurélio

Além de ter sido imperador romano, Marco Aurélio foi um filósofo de grande contribuição para os estudos religiosos.

Sêneca

Sêneca foi um filósofo de grande contribuição para os conceitos de éticafísica lógica.

Epiteto

Epiteto foi um filósofo grego que viveu a maior parte de sua vida como escravo romano.
Epiteto
Epiteto

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